Agostinho de Hipona, conhecido como Santo Agostinho
(354-430), foi um filósofo, escritor, bispo e teólogo cristão africano,
responsável pela elaboração do pensamento cristão. Deixou uma obra literária
gigantesca: 113 trabalhos, 224 cartas e mais de quinhentos sermões.
Santo Agostinho, certa vez, escreveu sobre quando foi para o
deserto fazer um retiro de silêncio e foi acometido por todo tipo de visão -
tanto demônios quanto anjos. Disse que em sua solidão, algumas vezes encontrava
demônios que pareciam anjos, e outras vezes encontrou anjos que pareciam
demônios. Quando lhe perguntaram como ele sabia a diferença, o santo respondeu
que só se pode dizer quem é quem com base na sensação que se tem depois que a
criatura foi embora. Se você ficar arrasado, disse ele, então foi um demônio
que veio visitá-lo. Se você se sentir mais leve, foi um anjo.
As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as
imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano,
o movimento circular das estrelas, e no entanto elas passam por si mesmas sem
se admirarem.
Há pessoas que desejam saber só por saber, e isso é
curiosidade; outras, para alcançarem fama, e isso é vaidade; outras, para
enriquecerem com a sua ciência, e isso é um negócio torpe; outras, para serem
edificadas, e isso é prudência; outras, para edificarem os outros, e isso é
caridade.
Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita
o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas, sim, em si mesmo.
Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado
parece grande, mas não é sadio.
Preocupas-te se a árvore de tua vida tem galhos apodrecidos?
Não percas tempo; cuida bem da raiz e não terás de andar pelos galhos.
Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me
elogiam porque me corrompem.